Prêmio CLAUDIA 2012

Realização Claudia

Glaucia Mendes Souza

2012


Embaixadora da cana-de-açúcar é o apelido de Glaucia Mendes Souza, 46 anos, no meio científico, seu hábitat. A bioquímica paulistana ficou conhecida aqui e no exterior por sua defesa aguerrida do uso de etanol proveniente da sacarose da planta em substituição ao petróleo. “Os combustíveis fósseis emitem muito CO2, que está causando mudanças climáticas graves”, alerta Glaucia, uma das mais importantes pesquisadoras mundiais de genética e biotecnologia da cana. “Além da extração de petróleo gerar grande impacto para o meio ambiente, esse produto se torna cada vez mais escasso e caro.”

Professora e coordenadora do Laboratóriode Transdução de Sinal do Instituto de Química da Universidade de São Paulo, Glaucia e sua equipe – composta de 12 brasileiros e oito estrangeiros – já identificaram genes da cana associados ao teor de sacarose, à produtividade e à tolerância a mudanças climáticas. O desafio agora é conseguir plantas transgênicas mais ricas em sacarose e mais resistentes à seca e a doenças. “Ao manipular geneticamente a planta, queremos gerar a ‘cana energia’, que irá crescer em maior quantidade até em solos degradados por pastos e em regiões de seca prolongada.” Glaucia, que soma três pós-doutorados (dois deles nos Estados Unidos), nove patentes e alguns prêmios internacionais, coordena um banco de dados usado por pesquisadores do mundo todo e é presidente do Programa Fapesp de Pesquisa em Bioenergia (Bioen). Estuda também a produção do etanol com biomassa, a fibra da cana. “Esse tipo, chamado de segunda geração, irá aumentar a produção em cerca de 60% e de forma mais sustentável.” E defende: “O Brasil será o protagonista da economia verde”.

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